A educação não deve servir a um governo, a um partido ou a uma ideologia. Deve servir à formação de cidadãos livres, conscientes e capazes de construir uma sociedade mais justa.
Professor Ivaldo
Professor Ivaldo é gestor da Universidade Unicesumar.
O novo cenário político nos coloca diante de uma reflexão fundamental: qual é o papel da educação na construção do país que desejamos para as próximas gerações?
A educação e a política são inseparáveis. A política define prioridades, distribui recursos, estabelece direitos e determina os rumos das instituições. A educação, por sua vez, prepara os cidadãos para compreender essas decisões, questioná-las e participar conscientemente da vida em sociedade.
Vivemos em um tempo de rápidas transformações, de intensa circulação de informações, de polarização de ideias e de questionamentos sobre a credibilidade das instituições. Nesse contexto, a educação não pode se limitar à transmissão de conhecimentos ou à preparação para o mercado de trabalho. Ela precisa formar cidadãos capazes de pensar criticamente, dialogar com as diferenças, reconhecer os fatos e compreender as consequências de suas escolhas.
Uma democracia não se sustenta apenas pelo direito ao voto, mas também pela capacidade de cada cidadão de escolher com consciência. E essa capacidade começa a ser construída na escola, muito antes de o jovem chegar à idade de votar.
É na educação que aprendemos que discordar não significa ser inimigo, que a diversidade de opiniões faz parte da democracia e que nenhuma liderança, partido ou instituição deve estar acima da crítica e da responsabilidade pública.
Mas há também uma responsabilidade política com a própria educação. Não basta defender sua importância nos discursos. É necessário garantir qualidade de ensino, valorização dos professores, condições adequadas de aprendizagem e políticas públicas que ultrapassem os limites de mandatos e interesses eleitorais. A educação exige continuidade, planejamento e compromisso de longo prazo.
Precisamos, portanto, superar a visão de que a escola deve apenas preparar profissionais para a economia. Ela também deve preparar pessoas para a cidadania, para a convivência democrática e para a defesa das instituições que garantem direitos e liberdades.
Acompanhamos uma virada histórica no segundo turno das eleições para presidente e esse feito histórico iniciou-se com um pequeno grupo de alunos da faculdade de direito da UFF, preocupados com o caminho sombrio que se avizinhava para o nosso futuro. O movimento tomou corpo, se espalhou por todo o Brasil e ganhou o mundo como exemplo de cidadania e mostra de que quem decide o nosso futuro somos nós cidadãos e cidadãs.
O novo cenário político exige uma educação que não doutrine, mas que ensine a pensar; que não imponha respostas, mas que desenvolva a capacidade de fazer perguntas; que não transforme diferenças em conflitos permanentes, mas que ensine a construir soluções coletivas.
Afinal, quando a política se afasta da educação, corre-se o risco de enfraquecer a consciência cidadã; quando a educação se afasta da política, perde-se a oportunidade de formar pessoas capazes de transformar a realidade.
O futuro de uma nação não depende apenas de quem ocupa o poder hoje, mas da qualidade dos cidadãos que estarão preparados para decidir os seus rumos amanhã.
Por isso, discutir educação no novo cenário político é discutir democracia, liberdade, responsabilidade e, acima de tudo, o futuro do Brasil.
Porque a educação não deve servir a um governo, a um partido ou a uma ideologia. Deve servir à formação de cidadãos livres, conscientes e capazes de construir uma sociedade mais justa.
