Projeto prevê dois túneis de 4,5 quilômetros, pistas com três faixas e mudanças no traçado da BR-040 entre o Rio e a Região Serrana. Foto: Reprodução
Motoristas que trafegam pela Serra de Petrópolis, na BR-040, deverão contar com um novo traçado rodoviário nos próximos anos. O projeto prevê dois túneis de 4,5 quilômetros, pistas com três faixas por sentido e a redução de curvas em um dos principais acessos entre a capital fluminense e a Região Serrana.
Segundo o Ministério dos Transportes, as obras devem ser retomadas em 2027. O investimento estimado é de R$ 2 bilhões, com conclusão prevista para 2030.
A mudança busca reduzir os congestionamentos e melhorar a segurança em um trecho conhecido pelas curvas fechadas, pistas estreitas e dificuldades para a circulação de caminhões e carretas.
Tempo de viagem pode cair para 36 minutos
De acordo com Guilherme Motta Gomes, diretor-executivo da Elovias, concessionária responsável pela rodovia desde novembro de 2025, o projeto prevê uma redução no tempo necessário para percorrer a serra nos dois sentidos.
Atualmente, o percurso de subida e descida leva cerca de 53 minutos. Com as obras concluídas, a expectativa é que o tempo total caia para 36 minutos.
A nova configuração também pretende separar o tráfego de passagem do acesso a Petrópolis. Quem seguir em direção a Juiz de Fora, em Minas Gerais, utilizará o novo traçado, enquanto a pista de subida atual será adaptada para funcionar como acesso à cidade.
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a mudança permitirá retirar parte do tráfego pesado da entrada de Petrópolis e melhorar a geometria da rodovia.
Como serão os novos túneis?
O projeto prevê a construção de dois túneis, com 4,5 quilômetros de extensão cada e três faixas de rolamento. As estruturas atenderão aos sentidos de subida e descida da serra.
Os túneis existentes no traçado atual serão mantidos, mas terão outras funções. Um deles deverá ser utilizado como acesso interno a Petrópolis, enquanto o outro servirá como ligação para o Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já aprovou a execução da obra, segundo o ministro.
Obras serão realizadas em duas etapas
A primeira fase deverá começar pelo trecho entre o pedágio de Xerém, em Duque de Caxias, e o Belvedere, na região dos quilômetros 89 a 102.
Nessa etapa, estão previstas a duplicação das pistas e a ampliação da capacidade de circulação. A pista de descida, que atualmente conta com duas faixas, ganhará uma terceira. No sentido de subida, também serão implantadas três faixas.
As intervenções seguintes incluem a conclusão dos túneis e as demais alterações no traçado.
Parte de um viaduto construído durante o projeto anterior será aproveitada. O novo desenho foi elaborado pela Elovias a partir da proposta da Concer, antiga concessionária que interrompeu as obras em 2016.
Trecho registrou 429 acidentes em pouco mais de dois anos
A necessidade de mudanças na Serra de Petrópolis também está relacionada aos registros de acidentes.
Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que foram contabilizadas 429 ocorrências com 21 mortes no trecho entre 2024 e setembro de 2026.
O número supera a soma dos acidentes registrados, no mesmo período, em outras duas serras fluminenses cortadas por rodovias federais: a de Teresópolis, na BR-116, e a das Araras, na Rodovia Presidente Dutra. Juntas, elas registraram 346 acidentes.
O traçado atual tem 158 curvas ao longo de aproximadamente 22 quilômetros: 114 na subida e 44 na descida. Em determinados pontos, a falta de acostamento e a largura das pistas dificultam a circulação de veículos pesados.
Em uma das situações relatadas pela reportagem do GLOBO, um bloqueio eletrônico acidental de uma carreta provocou um congestionamento de 40 minutos na subida. No dia seguinte, a equipe também presenciou um acidente sem gravidade, no qual um carro perdeu o controle na pista molhada e atingiu um barranco.
Comerciantes apontam prejuízos para a cidade
Representantes do comércio de Petrópolis afirmam que as condições da rodovia afetam moradores, turistas e empresas que dependem do transporte de mercadorias.
Marcelo Fiorini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio), destaca as dificuldades enfrentadas por motoristas em trechos estreitos, especialmente quando caminhões precisam ocupar parte da faixa contrária para contornar curvas.
Segundo ele, o aumento do tráfego e da circulação de veículos pesados nas últimas décadas contribuiu para ampliar os problemas de segurança e os congestionamentos.
Cláudio Mohammad, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis e integrante do Movimento Petrópolis 2030, também avalia que a demora na conclusão da nova pista prejudica o desenvolvimento econômico do município.
Para ele, a BR-040 é o principal acesso à cidade e precisa acompanhar o crescimento da circulação de veículos e da atividade econômica.
Obra se arrasta há décadas
A construção de uma nova pista de subida já estava prevista no primeiro contrato de concessão da rodovia. A Concer assumiu a administração em 1996 e teve o contrato prorrogado até 2025, embora o encerramento estivesse inicialmente previsto para 2021.
A antiga concessionária atribuiu a paralisação das obras à falta de repasses de recursos por parte da União.
Em 2024, o governo federal informou ter identificado, com base em parecer do Tribunal de Contas da União (TCU), indícios de sobrepreço em itens do projeto, além de outros problemas.
A nova proposta foi desenvolvida pela Elovias, que assumiu a administração do trecho entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora em novembro de 2025.
Em nota, a concessionária informou que vem reforçando as ações de segurança viária, com melhorias na sinalização, nas condições do pavimento e na orientação aos motoristas.
A empresa também destacou o volume de tráfego na região. A estimativa é de circulação diária entre 25 mil e 35 mil veículos, sem considerar o aumento do fluxo durante feriados.
Com a conclusão prevista para 2030, a nova configuração da Serra de Petrópolis deverá alterar a ligação rodoviária entre o Rio, a Região Serrana e Minas Gerais. Até lá, os motoristas continuarão utilizando o traçado atual durante a execução das etapas do projeto.
